Minhas Previsões:

  • MVP: Matthew Stafford
  • OPOY: Jaxon Smith-Njigba
  • DPOY: Myles Garrett
  • CPOY: Christian McCaffrey (CMC)
  • DROY: Abdul Carter
  • OROY: Tetairoa McMillan
  • COY: Mike Macdonald

Se você está aqui apenas para saber as previsões para a premiação da NFL, meu objetivo não é fazê-lo esperar ou ler um texto imenso. Estes deverão ser os ganhadores deste ano, na minha visão. Mesmo que eu não concorde com todos os nomes — e você pode concordar ou não comigo, me chamar de clubista ou algo do tipo — , os dados mostram que as brigas serão intensas. Veremos o porquê ao longo do texto.

Coach of the Year (COY): o “gauntlet” de Macdonald vs. o renascimento de Vrabel

Vou começar a debulhar essas premiações de baixo para cima. A escolha de Técnico do Ano não é nada simples. Mike Vrabel e Mike Macdonald colocaram fogo na disputa — e o fato de ambos terem levado suas franquias ao Super Bowl torna tudo ainda mais complicado.

Recentemente, ouvi alguém dizer: “Tenho raiva dessa premiação, sempre dão para o técnico que melhorou um time que estava ruim no ano anterior”. Questionei-me: “E deveria ser diferente?”.

Vrabel e Macdonald pegaram dois times desiludidos. No início do ano, a conversa nas torcidas era: “Qual posição de Draft vamos pegar?”. Ao longo da temporada, o sentimento mudou para: “Ei, tem algo interessante aqui”, depois para “Acho que chegamos aos playoffs” e, finalmente, para “Cara, nosso time é de Super Bowl”. Não sei para quem o baque foi maior: os adversários, que foram ficando pelo caminho, ou a torcida, que já estava conformada com mais um ano de derrotas.

Dito isso, embora os Patriots de Vrabel tenham tido uma campanha histórica de 14–3, existe um fator crucial: o calendário. Pelas métricas tradicionais de força de tabela (baseadas no aproveitamento dos adversários no ano anterior), New England entrou com um dos calendários mais fáceis da liga (top-3).

Mike Macdonald navegou por um verdadeiro “gauntlet” na NFC West — uma divisão que, na prática, exigiu vitórias pesadas o ano inteiro, com três times chegando a 12+ vitórias (Seahawks 14–3; Rams 12–5; 49ers 12–5).

Macdonald não apenas venceu; ele recuperou Sam Darnold, um quarterback antes desacreditado, transformando-o em um passador que liderou a liga em rating em passes fora do pocket (115,5; mínimo de 20 tentativas). Sob seu comando, Seattle ostentou uma defesa “mão de vaca”, cedendo apenas 17,2 pontos por jogo, e ainda garantiu a Seed #1 da NFC.

Por ter triunfado no cenário mais difícil e com um QB que muitos consideravam um erro ambulante, meu prêmio de Técnico do Ano vai para Mike Macdonald.

Offensive Rookie of the Year (OROY): O Brilho Solitário em Charlotte

De todas as categorias, esta deve ser uma das “tranquilas” — talvez empatada com a de Defensor do Ano. Tetairoa McMillan teve um ano espetacular, superando as limitações de um ataque que ainda busca identidade com Bryce Young. Ele não apenas passou das 1.000 jardas, como quebrou o recorde de jardas recebidas por um calouro na história da franquia, fechando a temporada regular com 70 recepções, 1.014 jardas e 7 TDs.

O que torna o feito do “T-Mac” ainda maior é o contexto: mesmo em uma unidade que oscilou, ele virou o “porto seguro” do quarterback e terminou com o maior número de TDs recebidos entre todos os calouros da NFL (e ainda foi o primeiro jogador da história do Panthers a ser eleito PFWA Rookie of the Year).

No departamento do big play, o T-Mac foi basicamente um alarme de incêndio tocando o jogo inteiro: 27 das 70 recepções dele foram “explosivas” (16+ jardas) — e esse foi o maior número de explosivas entre todos os rookies na temporada.

Nem tudo foi um sonho para Tetairoa. O jogador teve seus momentos de calouro, principalmente com a bola escapando — 8 drops no ano, número alto para quem já virou a referência do ataque.

Só que quando o bicho pegou, ele apareceu. No Wild Card contra os Rams, foram 5 recepções e 81 jardas — jogo grande, alvo marcado, e mesmo assim ele foi a válvula de escape para manter Carolina respirando até o fim.

O problema é o “e agora?”. Carolina ainda parece uma caixinha de surpresas. O Bryce Young até deu sinais e deve manter o cargo por mais um ano, mas a palavra que define é oscilação — e, se a franquia não estabilizar de vez o ambiente do QB e a identidade do ataque, o segundo ano do McMillan pode ser mais pancada do que festa. 

DROY: A Tríplice Coroa das Joias Raras

O prêmio de Calouro Defensivo do Ano (DROY) é, talvez, a categoria mais disputada de toda a temporada, mas que ironicamente recebe menos holofotes por se tratar de jogadores que “ainda precisam se provar”. Para 2025, três nomes surgiram com força total: Carson Schwesinger, Abdul Carter e Nick Emmanwori. Aqui não existe necessariamente um certo e um errado; os três estão no páreo, e qualquer escolha seria justa. Por isso, faço aqui uma “Tríplice Coroa” simbólica.

Dito isso, a premiação real não aceita licença poética. Para começar a análise, puxo a fala do maior grupo de rap que este país já viu: “Até no lixão nasce flor” (Racionais MC’s - Vida Loka, PT. 1). Temos a mania de achar que esses prêmios são baseados apenas em planilhas e exatidão, mas a NFL é feita de subjetividade, forças políticas e, principalmente, narrativas.

Nick Emmanwori é um fenômeno em Seattle. Ele é o pilar secundário daquela que já chamam de “Legion of Boom 2.0” ou “The Dark Side”. Nick liderou todos os calouros em passes desviados (11) e incompletos forçados (7) empatado na liderança entre rookies. Mas é justamente aqui que a narrativa o enfraquece: em um time onde todos estão brilhando e a defesa é a nº 1 da liga em eficiência, é fácil ser “levado pela onda”. Por isso, pela força da narrativa individual, Nick acaba perdendo terreno para os outros dois.

Restam Abdul Carter e Carson Schwesinger. Ambos são “flores nos lixões” que viraram seus times atualmente.

Schwesinger, em Cleveland, teve um ano estatisticamente absurdo, terminando o ano com impressionantes 156 tackles ( maior marca da NFL) e sendo o cérebro da defesa ao usar o “green dot” (o ponto eletrônico de comunicação com o técnico). Mas ele tem um professor: Myles Garrett. Ter o provável DPOY ao seu lado atrai atenção das linhas ofensivas e, de certa forma, facilita o seu trabalho.

Abdul Carter vive em um limbo nos Giants. Ele não tem um tutor, não tem um esquema que o proteja; ele é o esquema. Carter foi uma força disruptiva pura, liderando todos os calouros com 72 pressões no quarterback. Ele registrou o tempo de reação mais rápido da liga para chegar ao QB (2,22 segundos). Enquanto os outros brilham em sistemas organizados, Abdul tira “coelho da cartola” no caos absoluto de Nova York.

Se o prêmio busca quem foi mais impactante por conta própria, sem o auxílio de uma “unidade de elite” ou de um “professor lendário”, o troféu deve ir para as mãos de Abdul Carter.

CPOY: O Menino de Vidro que não quebrou

O prêmio de Comeback Player of the Year é, para mim, um dos mais excepcionais. Afinal, quem não ama uma boa reviravolta? A famosa “jornada do herói” que, mesmo quando não resulta em título, costuma levar times a feitos improváveis. Em 2025, essa jornada tem nome e sobrenome: Christian McCaffrey, ou simplesmente CMC.

O Running Back dos 49ers carregou por anos um apelido carinhoso, mas cruel, das torcidas por onde passou: “O Menino de Vidro”. O rótulo veio pelas lesões constantes, mas o carinho vinha do entendimento de que CMC sempre deu a vida por ataques que o deixavam na mão. Em 2024, parecia que o vidro tinha estilhaçado de vez quando ele jogou apenas quatro partidas.

Mas em 2025, Christian foi a força motora que manteve San Francisco nos trilhos em meio a inúmeras e incontáveis contusões no elenco — e o uso da redundância aqui é um símbolo do que foi o departamento médico dos 49ers este ano. Com Nick Bosa e Fred Warner fora, McCaffrey não foi apenas um RB; ele atuou como recebedor, bloqueador e motor principal, assumindo um risco físico que faria qualquer um tremer.

Os números são magnânimos: CMC estabeleceu um novo recorde da franquia com 413 toques na bola (a maior marca da história de San Francisco em uma única temporada) e liderou a liga com 2.126 jardas de scrimmage. Mais do que isso, ele se tornou o primeiro Running Back na história da NFL a registrar 100 ou mais recepções em três temporadas diferentes.

Dar o prêmio de CPOY para McCaffrey é reconhecer que, mesmo sendo “de vidro”, ele aceitou a carga de trabalho mais pesada da liga, atuando em múltiplas funções e carregando o time nas costas sem quebrar. Sem ele, os 49ers não teriam chegado a lugar algum.

Defensive Player of the Year (DPOY): Myles Garrett e a Reescrita da História

Myles Garrett. Você não ouvirá outro nome para este prêmio em 2025. Não existe segunda, muito menos terceira opção. Esta será a premiação mais simbólica do NFL Honors, pois Garrett fez questão de não deixar dúvidas para ninguém.

A dominância dele atingiu um patamar tão expressivo que ele se tornou o único foco dos adversários. O que Garrett conquistou foi geracional: ele pulverizou o recorde histórico de sacks em uma única temporada, registrando 23,0 sacks e superando a marca anterior de 22,5 que pertencia a Michael Strahan e T.J. Watt.

Mas o “valor” de Garrett vai além do número bruto. Ele foi o brilho solitário em um Cleveland Browns que enfrentou um ano difícil e terminou na parte de baixo da divisão. Mesmo sendo o alvo constante de bloqueios duplos e esquemas desenhados especificamente para pará-lo, ele liderou a liga com 33 tackles para perda de jardas (TFL) e uma taxa de vitória no pass rush de 24,6%.

Garrett terminou o ano com uma nota de pass rush de 93,3 no PFF, provando que ele foi a força mais disruptiva da NFL em cada jogada, e não apenas quando chegava ao quarterback. Quando um jogador coloca um time inteiro no mapa apenas pela sua presença defensiva e quebra um dos recordes mais cobiçados do esporte, a discussão termina antes mesmo de começar.

OPOY e MVP: Os Problemas Estruturais da NFL

Muitos criticam o MVP por ser um “prêmio de Quarterback”. Mas sejamos honestos: o QB é o jogador mais valioso. O valor intrínseco dessa posição é tão alto que um time aceita pagar fortunas ou abrir mão de múltiplas escolhas de rodada por um talento de elite. Por isso, defendo que a NFL deveria criar um prêmio exclusivo para QBs (como o Cy Young no beisebol) e mudar o MVP para “Melhor Jogador da Liga”, retirando a elegibilidade dos passadores da categoria de Jogador Ofensivo (OPOY).

Enquanto essa mudança ou qualquer outra solução não vem, vamos ao que temos.

Offensive Player of the Year (OPOY): O Motor vs. A Narrativa

De todos os prêmios esse com certeza é o mais concorrido com 4 jogadores brigando fortemente pelo prêmio.A disputa é muito forte entre Puka Nacua, Drake Maye, CMC e Jaxon Smith-Njigba. McCaffrey já levou em minha análise um super prêmio e não faz sentido dar a ele outro prêmio com tantos concorrentes fortes.Dito isso, o OPOY deverá ser de Jaxon Smith-Njigba.

Ele liderou a NFL em jardas recebidas (1.793), com 119 recepções e 10 TDs — e ainda quebrou recordes de franquia em Seattle. E não é só “número bonito”: a PFWA já carimbou isso, dando a ele o prêmio de Offensive Player of the Year.Até no “termômetro” de previsão pública, ele está na frente: a própria NFL publicou sua seleção/painel com JSN no topo do OPOY.

Sobre o Drake Maye: ele é finalista (com méritos) e teve números de elite (72% de completos, rating 113,5 etc.). Surgiu como a resposta messiânica para uma torcida órfã de Tom Brady. A narrativa do “GOAT 2.0” é sedutora e gigante, mas ela ignora o elefante na sala: o calendário dos Patriots foi projetado como o mais fácil da NFL, pelo critério tradicional de win% dos adversários do ano anterior como já dito anteriormente. Isso não “invalida” o Maye mas o OPOY para ele parece um prêmio de consolação por não levar o MVP (Spoiler Alert).

Você deve se perguntar: “E o Puka?” Este para mim deveria ser o real vencedor. Se for pelo impacto semana a semana, Puka é um caso criminalmente forte. Mesmo com a chegada do Davante Adams, que virou um “finalizador”, Puka continuou sendo a arma mais perigosa dos Rams. Ele terminou o ano com nota PFF 96,3 (recorde) e liderou a liga com 129 recepções, além de somar 10 corridas para 105 jardas. Quando o time precisava de uma jogada impossível no terceiro down, era pro camisa 17 que a bola ia.

E nos playoffs ele deixou marca logo de cara: no Wild Card contra os Panthers, foram 10 recepções, 111 jardas e 2 TDs recebendo, além de um TD correndo. Na final de conferência contra Seattle, ele ainda apareceu com TD de 34 jardas, mesmo num jogo em que o Rams ficou por detalhes do Super Bowl.

MVP: A Última Fronteira de Matthew Stafford

Chegamos ao topo.

A briga entre Maye e Stafford é um duelo entre a juventude estatística e a maestria veterana. Maye quebrou o recorde de precisão (72%), mas Stafford redefiniu a eficiência em um calendário muito mais brutal.

Aos 37 anos, Stafford entregou a temporada de sua vida. Liderou a liga com 4.707 jardas e 46 touchdowns, comandando o ataque mais produtivo da NFL (média de 30,5 pontos por jogo). O que ele fez nesta temporada foi arte: estabeleceu o recorde histórico da NFL de 28 touchdowns consecutivos sem uma única interceptação, superando a marca de Tom Brady.

Stafford tomou conta de Los Angeles com uma liderança e acurácia que Maye ainda está engatinhando para alcançar. Para o jovem de New England, o futuro é brilhante e haverá tempo para ganhar MVPs. Para Stafford, esta é a coroação de uma carreira de resiliência. Ele foi eleito o MVP pela Associação de Escritores de Pro Football (PFWA) e selecionado como First-Team All-Pro. Historicamente, a AP só contrariou o All-Pro no MVP em três ocasiões. Retirar esse prêmio de Stafford agora seria mais do que um erro; seria um crime contra a história da liga.

Nos offs, Stafford ainda deixou o “carimbo” dele jogo a jogo:

  • Wild Card vs Panthers: 24/42, 304 jardas, 3 TDs e 1 INT.
  • Divisional vs Bears: 20/42, 258 jardas, 0 TD, 0 INT (e apanhou: 4 sacks).
  • Final de conferência vs Seahawks: 22/35, 374 jardas e 3 TDs.